Just another day in paradise…

22 11 2009

Ok, ok… eu odeio fazer desse blog um “diário de adolescente” mas a semana que passou foi algo como iluminadora. Percebi coisas que sozinho em casa, como eu tenho estado esses dias, eu não perceberia.

Percebi que nos cantos mais baixos talvez estejam os maiores aprendizados. Tendo meu primeiro contato com uma sala de aula, sendo ela uma sexta série de uma sala da escola que habita minha infância, pude compreender que o sistema talvez esteja errado. Mas errada também está a forma como o sistema é aplicado. Se a prova que eu apliquei era uma forma de avaliar a escola, por que não fazer com que os alunos também fossem avaliados na escola com aquele teste? Por que não colocar todas as disciplinas nos testes? Por que só um fiscal para toda a escola, com tantas e tantas salas? Perguntas sem resposta… mas que tem explicações bem convincentes e bem pensadas por educadores e pedagogos. Aham, ok.

E por que aquele menino fez tanto até que eu o pusesse para fora da classe? Ou melhor, por que eu o coloquei para fora da classe? Essa eu respondo. O menino não é fundamentalmente mau, nem fundamentalmente sem disciplina. Talvez ele tenha o mesmo disturbio de atenção que eu tinha. E tenho (será?). Infelizmente eu precisei fazer dele um exemplo aos outros, e sua retirada da classe foi um modo de transforma-lo em uma espécie de Cristo. Algo como que se alguns pudessem vê-lo pregado na cruz, digo, na sala da diretoria, o tomassem como exemplo para não serem açoitados também pelo César, digo, por mim. Ok, péssima analogia.

Outro momento de iluminação tem sido o contato com ela. Não você que está lendo, princesa, “ela” é a primeira mulher.  Eu demorei muito para entendê-la, e ela já passou de deusa a demônio (por que o feminino de demônio soa tão mal aos ouvidos?) tantas vezes em minha vida que eu perdi a conta. Mas hoje eu acho que entendo. “São crianças, como você. E o que você vai ser quando você crescer?”

Hoje eu entendo que ela é só uma mulher como tantas outras e que eu não devo me espelhar nela em nenhuma forma. Nenhuma a não ser o trabalho, mas existem tantas pessoas para se espelhar no trabalho! A vida é  assim… infelizmente somos levados a crer que certas pessoas são deuses e outras, simplesmente reles mortais. Mas somos todos mortais, somos todos frutos de uma mesma carne, filhos do carbono. Acho que, finalmente, entendi aquela mulher e a olhei de frente. E sinceramente, não gostei do que eu vi.

O terceiro momento foi quando não vi um amigo que estava na minha frente. Não metaforicamente, mas literalmente. Estava tão absorto em meus próprios pensamentos e minha mesquinhez que só pude vê-lo quando ele me chamou pelo nome. Quantas vezes mais precisarei ser chamado pelo nome para acordar? Aliás, quantas outras pessoas me chamarão pelo nome?

É a velha insegurança que estou deixando para trás, sendo eu mesmo. Deixando para trás o manto de ranger e me tornando aquilo que eu nasci para ser.

Parte eu devo a todas as decepções que tive em minha vida, a todas as cicatrizes que mantive, a todo o orgulho que tive que pisar… parte eu devo a quem corre ao meu lado. E por que será que demorei tanto para te encontrar, princesa? Quero ser digno de ser seu rei. E estou trabalhando para isso.

Bom… eu retomarei as redeas desse blog e agora… o video do fim de semana.

Would you believe in a love at first sight
Yes, I’m certain that it happens all the time
What do you see when you turn out the light
I can’t tell you but I know it’s mine,

Oh, I get by with a little help from my friends
Mm, I get high with a little help from my friends
Mm, gonna try with a little help from my friends

Em tempo: Nao vou comentar o video do Ismael. E se voce veio aqui procurando esse video, segue o link.





Astrology, this bitch! AGAIN!

12 11 2009

Ah, meu… impossível isso… tem alguém soprando as respostas na orelha do astrology.com

Dear Alexandre,
Here is your horoscope for
Thursday, November 12:
You are having the hardest time deciding between two (or more) perfectly good options — it’s the kind of problem others would love to have! That doesn’t make the choice easier, so try putting it off.





Astrology, this bitch!!!!

10 11 2009

Dear Alexandre,
Here is your horoscope for
Tuesday, November 10:
Use your amazing energy to slingshot yourself into a brand-new job or social position — you can start almost anything new today, as long as you feel confident that you can handle the responsibilities.

but but but… how do you… how… BITCH!





JESUS 2000!

29 10 2009




Lady Vingança – mais um filme sobre “adivinhe o que”?

28 10 2009

lady-vinganca-posterE então eu comecei a assistir a trilogia da vingança, do diretor  Park Chan-Wook. Comecei pelo “Oldboy” que acabou sendo a minha primeira crítica cinematografica neste blog. Enfim, agora só falta assistir o “Mr Vingança”.

Se não assistiu o filme, não leia. Contém Spoilers.

O filme, ao contrário de Oldboy, traz uma narrativa lenta e dolorosa. Com muitos “flashbacks” e “fastforwards”, é palpável a dor da protagonista e a sua procura constante. Não pela vingança, que é mera questão de tempo (e que nos deixa angustiados o filme todo sobre como e quando ocorrerá). A sua busca é por remissão, é por perdão.  O perdão dos outros, pelo qual chega a se mutilar, e o perdão próprio por algo que não fez e se penitencia (que a levou a fazer sexo com alguém que representava o assassinado de tantos anos atrás).

A palavra que resume o filme talvez seja realmente essa, no fim das contas, angústia.  Cada momento de filme traz a quem assiste um pouco da angústia da protagonista, e o fim, a final vingança traz muito mais angústia. Talvez, aqueles minutos que o assassino passa amarrado sejam muito piores do que os anos em que a protagonista passou presa. Ou não.

Mas faltou um desfecho assustador como em Oldboy. Enfim… obras primas costumam ser únicas, mas Lady Vingança continua sendo um filme muito bom.

 





“kill Bill” ou “do what you want and enjoy the consequences”

28 10 2009

kill_bill“Kill mothafucka Bill”, um dos filmes de mais sucesso de Tarantino, e também, na minha humilde opinião, um dos menos entendidos.

Tirei os últimos dias para tentar colocar meus “filmes que quero ver pela primeira vez ou de novo” em dia. Comecei por Lady Vingança, que vai ganhar uma resenha própria, e passei por “Rock’n'Rolla” (do Guy Richie), que provavelmente também ganhará. Passei aos blockbusters e fui direto ao Kill Bill. No momento em que comecei a assistir, lembrei que só havia visto no computador, antes de sair no cinema, e que nunca mais tinha colocado os olhos no filme. Foi bom assistir novamente.

O tema principal do filme talvez seja realmente a vingança que Kiddo procura e o que faz até consegui-la. Mas permitam-me dizer que esse não é o tema do filme. O tema do filme é simples e se resume em uma palavra: consequência.

Bill é o líder de um esquadrão de matadores de aluguel e ganha a vida matando as pessoas ao redor do mundo e ganhando rios de dinheiro com isso, como ele mesmo define. Porém, o que ele ainda não enfrentou na vida (ou não tinha enfrentado, até cruzar com a fúria de Kiddo) era a consequência. A consequência por seus atos, bons ou maus, mas a simples e cruel consequência.

Foi Bill que recrutou Kiddo e contou a ela sobre Pai Mei, e também foi Bill quem colocou os dois em contato para o treinamento. Foi mencionando o nome de Bill que Kiddo conseguiu que Hattori Hanzo quebrasse seu juramento e lhe forjasse uma espada. Foi Bill que convocou todo o seu grupo de extermínio para matar Kiddo e todo o seu quase-futuro de felicidade e também foi Bill que atirou na cabeça de Kiddo, provocando assim o seu coma e a sua fúria.

Foi Bill quem se apaixonou por Kiddo, e lhe fez um filho, e foi por causa desse filho que Kiddo encontrou a felicidade, depois de tantas mortes. E essa foi a consequência final de Bill: dar como presente, depois do gosto doce da vingança, a felicidade ou infelicidade de  ter para sempre um pedaço de si junto a sua assassina e amante.

 





jalecos e mentiras…

19 10 2009

Bom, depois de muito tempo, resolvi escrever sobre os jalecos médicos. Não escrevi antes pela mais pura e indiscriminada preguiça.

Em um primeiro lugar, com a definição da palavra Jaleco, pelo dicionário Houaiss:

jaleco: guarda pó curto, usado por médicos, dentistas, etc.

E para guarda-pó, temos:

guarda-pó: casaco comprido, de tecido leve, que se veste por cima da roupa para resguardá-la de pó e sujeira. cf. jaleco.

Assim sendo, temos que um jaleco é uma peça de vestuário utilizada para resguardá-la de pó e sujeira, certo? Bom… quase.

Imagine que você foi atropelado (como eu já fui). Agora imagine que você é atendido por um médico, de jaleco. Imagine agora que seus familiares são impedidos de te ver por “perigo de contaminação” das suas feridas. Mas o próprio médico, veio de metrô com aquele mesmo jaleco! Ora, senhores… não sejamos hipócritas!

Se médicos querem ser reconhecidos na rua, que tentem fazê-lo de uma outra forma, ou tenham um “jaleco de rua” e um “jaleco esterelizado” no hospital!

Mais um post da campanha “por um mundo menos hipócrita”. E era isso o que tinha a dizer sobre os jalecos… E não sou só eu que penso assim.





“Recalque” ou “Olimpíadas 2016″

12 10 2009

Antes de tudo, uma definição rápida da palavra “recalque”:

1. recalque

Pessoa que sente ódio por ter sido passada pra tras, ou por ter sido trocada ou rejeitada.

Fonte: Dicionário Informal

Agora, passemos ao post.

Fazem alguns dias, eu postei aqui um texto a respeito do famigerado jornal matinal da Rede Globo de televisão, o “bom dia Brasil”. Por causa desse post, recebi inúmeros elogios ao blog, agradando a muitos paulistas. Obrigado João e Luis. Não posso negar também que recebi um pouco de ódio carioca vindo de pessoas que mal sabem escrever, mas deixemos isso de lado, por enquanto.

Hoje eu vou falar sobre pessoass que sabem escrever, e escrevem para o semanário em forma de revista chamado de “Veja”.

rio-olimpiada-2016Na semana que passou, fomos bombardeados por informações da pior qualidade, convocando cada um dos brasileiros trapalhões a se alegrar pela capital dos jogos olímpicos de 2016 ser o Rio de Janeiro. À parte das piadas prontas (como as novas modalidades de tiro ao alvo e “assalto” à distância), muita gente gostou. Gostou de ver as mesmas pessoas que lucrarão (e muito) com as obras e com o desvio das verbas que seguirão essas obras dando pulos de alegria quando aquele senhor falou com o sotaque mais do que “gringo”: Rio de Janeiro.

Sinceramente, devo confessar que eu torci contra. Torci primeiro por Chicago, depois por Tóquio, e mais ainda por Madrid. Não pela natural segregação imposta pelos próprios cariocas ao resto do mundo (se colocando como supostos melhores); não pelo ódio que eles nutrem aos paulistas (e que os paulistas não podem responder com flores, obviamente); mas pela palavrinha pela qual eu comecei esse post: Recalque.

Agora é aquela hora que os cariocas que lêem esse texto, sorriem: “lógico, recalque do paulishta, que queria que as olimpíadash fossem lá, ao invéish da cidade maravilhosa!”. Ah… mas muito se enganam! O recalque de que eu digo remonta muitos anos antes disso. O recalque remonta ao ano de 1960, quando a capital do Brasil se tornou Brasília, saindo da cidade maravilhosa.

Muitos vão dizer que eu estou exagerando, e que não é assim. Ora, os cariocas não se sentem menores por não serem mais a capital. Pois se sentem sim. Qual foi meu espanto quando, lendo o semanário ao qual me referi, me deparei com um texto do Sr J. R. Guzzo, intitulado “A capital perdida“. Em meio a um mar de besteiras e idéias desconexas, esse senhor diz que “Até abril de 1960, o Brasil tinha o que poderia haver de mais próximo, no mundo inteiro, a uma capital perfeita. A partir dali, perdeu-a para sempre.” Ah, meu nobre senhor recalcado, não queira colocar nas costas do nosso querido JK uma culpa que é própria do povo carioco! As mazelas da cidade e do estado, a falta de vergonha na cara para gerir as verbas públicas e também para impedir a ocupação desordenada dos morros, os mesmos morros onde não há policiamento, onde não há nenhum tipo de melhoria pública, É TUDO CULPA DE VOCÊS MESMOS!

De mais a mais, deveria em primeiro lugar o Sr Jr, digo J.R., estudar um pouco da história do Brasil, quando saberia que não foi em 1960 que foi cometida a “violência”, mas na primeira constituição da República, no ano de 1891. Como diria o kibe, “Duvida? clique aqui! e aqui!” (e antes que me perguntem, é o artigo 3°).

Sinceramente, o que me deixou indignado com o texto do Sr Juninho, foi em primeiro lugar o recalque carioca tão evidente e sem pudor algum, como aquela criança que diz “Viu? Viu? Olha só como eu sou legal também!”. Em segundo lugar um tamanho rancor e ignorância de quem realmente acredita que muitos problemas do Rio seriam solucionados se tivesse se mantido capital e que serão solucionados com a reforma do Maracanã ou com a construção de “centros olímpicos”. “Mas tudo terá valido a pena (sic), certamente, se na cerimônia de encerramento o Rio estiver melhor do que está hoje”. Certamente estará, meu senhor. Estará com mais morros ocupados, mais gente desempregada, mais assaltos (e não estou falando só dos bandidos dos morros, mas também dos de colarinho branco), mais tráfico. O Rio definitivamente, em 2016 será mais.  

E antes de terminar, eu gostaria de repetir que não foi a mudança da capital de lugar que “estragou” o Rio de Janeiro. Foram os próprios cariocos.

Mascote das Olimpíadas de 2016

Mascote das Olimpíadas de 2016

De qualquer maneira, parabéns Rio. Sinceramente espero que sejam maravilhosos os jogos olímpicos, como são todos. E espero isso, mesmo sabendo que o dinheiro deveria ser investido em educação, segurança, saneamento básico, infraestrutura, e tantas outras coisas mais importantes que o esporte, e apesar de saber também que milhões e bilhões de reais sairão direto do bolso do contribuinte para bolso de vagabundos, políticos, empresários e traficantes (não que sejam pessoas diferentes e não nessa ordem). Ah, mas vai ser um desvio lindo e ágil como um duplo twist carpado! VIVA AS OLIMPÍADAS NA NOSSA “VERDADEIRA CAPITAL”! VIVA AS OLIMPÍADAS NO RIO!





Manuel Bandeira, “O Cara”

2 10 2009

Vou-me Embora pra Pasárgada

Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d’água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.


Texto extraído do livro “
Bandeira a Vida Inteira“, Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90

Em tempo: Hoje ainda vem o texto sobre os médicos. Não, eu não esqueci.





Dá até vontade de fazer igual…

1 10 2009

Só que deixaria um livro de Darwin, ou de Richard Dawkins, ao invés de Newton…

 

Veritas_Vos_Liberabit