Antes de tudo, uma definição rápida da palavra “recalque”:
1. recalque
Pessoa que sente ódio por ter sido passada pra tras, ou por ter sido trocada ou rejeitada.
Fonte: Dicionário Informal
Agora, passemos ao post.
Fazem alguns dias, eu postei aqui um texto a respeito do famigerado jornal matinal da Rede Globo de televisão, o “bom dia Brasil”. Por causa desse post, recebi inúmeros elogios ao blog, agradando a muitos paulistas. Obrigado João e Luis. Não posso negar também que recebi um pouco de ódio carioca vindo de pessoas que mal sabem escrever, mas deixemos isso de lado, por enquanto.
Hoje eu vou falar sobre pessoass que sabem escrever, e escrevem para o semanário em forma de revista chamado de “Veja”.
Na semana que passou, fomos bombardeados por informações da pior qualidade, convocando cada um dos brasileiros trapalhões a se alegrar pela capital dos jogos olímpicos de 2016 ser o Rio de Janeiro. À parte das piadas prontas (como as novas modalidades de tiro ao alvo e “assalto” à distância), muita gente gostou. Gostou de ver as mesmas pessoas que lucrarão (e muito) com as obras e com o desvio das verbas que seguirão essas obras dando pulos de alegria quando aquele senhor falou com o sotaque mais do que “gringo”: Rio de Janeiro.
Sinceramente, devo confessar que eu torci contra. Torci primeiro por Chicago, depois por Tóquio, e mais ainda por Madrid. Não pela natural segregação imposta pelos próprios cariocas ao resto do mundo (se colocando como supostos melhores); não pelo ódio que eles nutrem aos paulistas (e que os paulistas não podem responder com flores, obviamente); mas pela palavrinha pela qual eu comecei esse post: Recalque.
Agora é aquela hora que os cariocas que lêem esse texto, sorriem: “lógico, recalque do paulishta, que queria que as olimpíadash fossem lá, ao invéish da cidade maravilhosa!”. Ah… mas muito se enganam! O recalque de que eu digo remonta muitos anos antes disso. O recalque remonta ao ano de 1960, quando a capital do Brasil se tornou Brasília, saindo da cidade maravilhosa.
Muitos vão dizer que eu estou exagerando, e que não é assim. Ora, os cariocas não se sentem menores por não serem mais a capital. Pois se sentem sim. Qual foi meu espanto quando, lendo o semanário ao qual me referi, me deparei com um texto do Sr J. R. Guzzo, intitulado “A capital perdida“. Em meio a um mar de besteiras e idéias desconexas, esse senhor diz que “Até abril de 1960, o Brasil tinha o que poderia haver de mais próximo, no mundo inteiro, a uma capital perfeita. A partir dali, perdeu-a para sempre.” Ah, meu nobre senhor recalcado, não queira colocar nas costas do nosso querido JK uma culpa que é própria do povo carioco! As mazelas da cidade e do estado, a falta de vergonha na cara para gerir as verbas públicas e também para impedir a ocupação desordenada dos morros, os mesmos morros onde não há policiamento, onde não há nenhum tipo de melhoria pública, É TUDO CULPA DE VOCÊS MESMOS!
De mais a mais, deveria em primeiro lugar o Sr Jr, digo J.R., estudar um pouco da história do Brasil, quando saberia que não foi em 1960 que foi cometida a “violência”, mas na primeira constituição da República, no ano de 1891. Como diria o kibe, “Duvida? clique aqui! e aqui!” (e antes que me perguntem, é o artigo 3°).
Sinceramente, o que me deixou indignado com o texto do Sr Juninho, foi em primeiro lugar o recalque carioca tão evidente e sem pudor algum, como aquela criança que diz “Viu? Viu? Olha só como eu sou legal também!”. Em segundo lugar um tamanho rancor e ignorância de quem realmente acredita que muitos problemas do Rio seriam solucionados se tivesse se mantido capital e que serão solucionados com a reforma do Maracanã ou com a construção de “centros olímpicos”. “Mas tudo terá valido a pena (sic), certamente, se na cerimônia de encerramento o Rio estiver melhor do que está hoje”. Certamente estará, meu senhor. Estará com mais morros ocupados, mais gente desempregada, mais assaltos (e não estou falando só dos bandidos dos morros, mas também dos de colarinho branco), mais tráfico. O Rio definitivamente, em 2016 será mais.
E antes de terminar, eu gostaria de repetir que não foi a mudança da capital de lugar que “estragou” o Rio de Janeiro. Foram os próprios cariocos.

Mascote das Olimpíadas de 2016
De qualquer maneira, parabéns Rio. Sinceramente espero que sejam maravilhosos os jogos olímpicos, como são todos. E espero isso, mesmo sabendo que o dinheiro deveria ser investido em educação, segurança, saneamento básico, infraestrutura, e tantas outras coisas mais importantes que o esporte, e apesar de saber também que milhões e bilhões de reais sairão direto do bolso do contribuinte para bolso de vagabundos, políticos, empresários e traficantes (não que sejam pessoas diferentes e não nessa ordem). Ah, mas vai ser um desvio lindo e ágil como um duplo twist carpado! VIVA AS OLIMPÍADAS NA NOSSA “VERDADEIRA CAPITAL”! VIVA AS OLIMPÍADAS NO RIO!